sábado, 6 de Junho de 2009
sexta-feira, 6 de Fevereiro de 2009
Arte em pintura
Composition with Yellow, Black, Blue and Grey, 1923
Óleo sobre tela; 54 x 53,5 cm
Neo-Plasticismo
Óleo sobre tela; 54 x 53,5 cm
Neo-Plasticismo

Piet Mondrian ( 1872 - 1944 )Holanda
“Composição com Amarelo, Preto, Azul e Cinzento”, de 1923, é uma das melhores obras da primeira metade do século XX, que se podem encontrar em Portugal. Está patente no Museu Colecção Berardo em Lisboa, e foi concretizada pelo pintor e teórico holandês Piet Mondrian.
Esta obra enquadra-se, perfeitamente, no ideal de concretização pictórica de Mondrian, defensor da necessidade de ser realçada a abstracção e simplificação, através da idealização matemática da Natureza e das suas formas mais puras. O seu trabalho reflecte estas qualidades, transmitidas pelas linhas rectas, o rectângulo ou o cubo e pelo recurso às cores primárias, o vermelho, o amarelo e o azul, bem como às cores neutras, o preto, o branco e o cinzento. A utilização destas cores e formas associa-se à filosofia oriental e ao movimento espiritual teosófico.
Nesta obra é possível referir o recurso a elementos abstractos e a um corte total com o Academismo vigente no século XIX. A representação da Natureza devia ser simplificada ao máximo, para poder ser verdadeiramente observada e apreciada, transformando a obra de arte um expoente elevado de beleza e harmonia. A procura da harmonia e perfeição explicam a proximidade com o estudo matemático do número de ouro, com o qual se obtém o rectângulo de ouro, presença constante nesta obra. Da divisão destes rectângulos surgem quadrados e outros rectângulos, sempre perfeitos, que criam a espiral de ouro, chave suprema da Natureza. O facto desta obra ser visualmente agradável apesar de não ser facilmente interpretada deve-se ao recurso do rectângulo de ouro.
A presente obra insere-se, num contexto generalizado, no movimento do Abstraccionismo Geométrico, e de forma particular, numa das suas duas correntes, o Neo-Plasticismo, criado por Mondrian.
Esta é uma das obras que mais aprecio. Para todos os que amam Pintura ou qualquer outra forma de Arte.
quinta-feira, 5 de Fevereiro de 2009
Governo e governado
g-Diga-me. O que entendeu disto?
G-Coisa pouca, devo confessar-lhe.
g-E pensa que me vai continuar a enganar?
G-Evidentemente. Ainda duvida?
g-Não abuse da minha paciência.
G-Tenho-o nas mãos e tenho. Cale-se.
G-Coisa pouca, devo confessar-lhe.
g-E pensa que me vai continuar a enganar?
G-Evidentemente. Ainda duvida?
g-Não abuse da minha paciência.
G-Tenho-o nas mãos e tenho. Cale-se.
Governo e governado.
segunda-feira, 2 de Fevereiro de 2009
domingo, 28 de Dezembro de 2008
Ariane
Já não escrevo por aqui há imenso tempo. O momento da escrita não deve ser forçado, deve ser uma concretização que nos satisfaça. E não me tem apetecido escrever. Assim, deixo-vos um poema de que sempre gostei, talvez pela sua promessa de liberdade.
Ariane
Ariane é um navio.
Tem mastros, velas e bandeira à proa,
E chegou num dia branco, frio,
A este rio Tejo de Lisboa.
Carregado de Sonho, fundeou
Dentro da claridade destas grades...
Cisne de todos, que se foi, voltou
Só para os olhos de quem tem saudades...
Foram duas fragatas ver quem era
Um tal milagre assim: era um navio
Que se balança ali à minha espera
Entre as gaivotas que se dão no rio.
Mas eu é que não pude ainda por meus passos
Sair desta prisão em corpo inteiro,
E levantar âncora, e cair nos braços
De Ariane, o veleiro.
Miguel Torga
quarta-feira, 17 de Setembro de 2008
Greve nacional
Já foi convocada uma nova greve pelos sindicatos da Função Pública, lançada pela CGTP, para o primeiro dia do próximo mês. Segundo a Frente Comum dos Sindicatos da Função Pública, a administração pública não é ouvida pelos governantes. Penso que isto não é novidade nenhuma para ninguém. Recordo a “Marcha pela Indignação” que juntou milhares de professores e não surtiu nenhum efeito nas reformas do Ministério da Educação. É lamentável que após tantas manifestações e greves, o Governo perpetue uma posição de distanciamento em relação às reivindicações dos trabalhadores. Uma democracia assim é como um relógio sem pilha. Existe, mas não funciona.
terça-feira, 16 de Setembro de 2008
Desertificação interior
Achei interessante a frase de José Leite Pereira escolhida pela edição online do Público, de hoje, retirada do seu artigo de opinião do JN. No meu ver, a resposta à questão da desertificação por parte das instituições autárquicas, com a bênção do Governo, é desanimadora. Não vejo mal algum em que se criem espaços proporcionadores de desenvolvimento regional, mas continuo a ver tais medidas como insuficientes e desfasadas da realidade do interior rural português. Quais serão as verdadeiras prioridades destas povoações? Que se crie emprego e se aposte na formação ou que se construam piscinas com espaço relvado para receber os emigrantes durante o Verão?
Tendo em conta os casos que conheço, sei que, para orgulho da gente lá da terra, ter um nono “estádio” (na prática, um campo com relva espaçada e balneários com água quente, quando há gás) é algo de grandioso, associado a festejos pomposos com direito a foguetes, bombos e bailarico a partir das dez, proporcionado pelo conjunto que veio há dois anos à festa da Santa Isabel. Todas as obras que se vão realizando são úteis à sua maneira, procurando dinamizar locais quase esquecidos nas salas e corredores lá para Lisboa.
O problema da desertificação, no entanto, não se resolve assim, com a já esperada política do betão. Muitas das vezes, os complexos desportivos e culturais criados ficam sem utilização. Se for preciso cria-se uma sala de espectáculos, mas depois não existem fundos suficientes para apoiar grupos dramáticos locais, por exemplo.
Existem obras verdadeiramente valiosas para algumas freguesias, por exemplo, o saneamento. Qual é o problema? Os custos! Mas também não se gasta bastante a construir pavilhões gimnodesportivos? Claro que sim, mas pelo menos ficam à vista de todos para que ninguém olvide quem os mandou erigir e em quem se deve votar nas próximas eleições. Em alguns casos, situações como esta são puro egoísmo.
No interior de Portugal falta criar-se sustentabilidade. Desenvolver projectos que aproveitem os recursos autóctones e, especialmente, os recursos humanos, valorizando-se a formação, seria uma ideia feliz. Não digo que isto já se não faça em alguns locais. No entanto, é de relembrar que, pela norma, um curso de informática para seniores algures na raia nem dá notícia nem boa fotografia. A não ser que algum iluminado por lá passe enquanto grava um documentário sobre o abandono que vai vivendo o interior…
Tendo em conta os casos que conheço, sei que, para orgulho da gente lá da terra, ter um nono “estádio” (na prática, um campo com relva espaçada e balneários com água quente, quando há gás) é algo de grandioso, associado a festejos pomposos com direito a foguetes, bombos e bailarico a partir das dez, proporcionado pelo conjunto que veio há dois anos à festa da Santa Isabel. Todas as obras que se vão realizando são úteis à sua maneira, procurando dinamizar locais quase esquecidos nas salas e corredores lá para Lisboa.
O problema da desertificação, no entanto, não se resolve assim, com a já esperada política do betão. Muitas das vezes, os complexos desportivos e culturais criados ficam sem utilização. Se for preciso cria-se uma sala de espectáculos, mas depois não existem fundos suficientes para apoiar grupos dramáticos locais, por exemplo.
Existem obras verdadeiramente valiosas para algumas freguesias, por exemplo, o saneamento. Qual é o problema? Os custos! Mas também não se gasta bastante a construir pavilhões gimnodesportivos? Claro que sim, mas pelo menos ficam à vista de todos para que ninguém olvide quem os mandou erigir e em quem se deve votar nas próximas eleições. Em alguns casos, situações como esta são puro egoísmo.
No interior de Portugal falta criar-se sustentabilidade. Desenvolver projectos que aproveitem os recursos autóctones e, especialmente, os recursos humanos, valorizando-se a formação, seria uma ideia feliz. Não digo que isto já se não faça em alguns locais. No entanto, é de relembrar que, pela norma, um curso de informática para seniores algures na raia nem dá notícia nem boa fotografia. A não ser que algum iluminado por lá passe enquanto grava um documentário sobre o abandono que vai vivendo o interior…
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